sábado, 14 de abril de 2012

2-Conheça-me

Gostaria de começar este capítulo com uma breve apresentação: meu nome é Felisberto, tenho vinte e poucos anos, mas todos dizem que parece menos.
Gosto de, nas horas vagas, sonhar!
Contando parece bobagem, mas não é disso que a vida é feita?
Quem nunca sonhou em ter uma vida diferente, ser um herói, ser mais alto, mais bonito?
A história nos prova que devemos valorizar os sonhos. Pois grande parte do mundo que conhecemos hoje, é beneficiado, de alguma forma, pelos sonhos de alguém.
Descobri esse "talento" pra sonhar ainda criança. Quando imaginava quão bom seria ser um astro da música ou alguém salvaria o mundo de todos os pilantras opressores dos fracos e indefesos- e lerdos- como eu.
E tudo isso no meu quintal. È eu era uma criança relativamente solitária.
Mas nenhum desses sonhos infantis se compara ao que me aconteceu aos oito anos de idade. Me apaixonei pela primeira vez!
E devo dizer que foi "podre".
Ela era minha colega de escola, e pra variar, não me dava a menor bola. - vai entender...
Não só me apaixonei como fui tomado por uma vontade louca de me expressar. Escrevi uma carta. Minha primeira carta de amor! Romântico não?
Detalhe: minha irmã encontrou a carta antes que eu, anonimamente, pudesse entregá-la. E como você deve imaginar caro leitor, irmãos, ainda crianças, e naturalmente implicantes podem ser muiiiiiito cruéis. Foi a primeira vez que me senti nu, mesmo estando vestido.
Minha irmã tirou um sarro da minha cara, mas logo rasgou a carta e deixou quieto o assunto.
A garota da carta me decepcionou dias depois, mas tínhamos oito anos... O que eu queria?
Cheguei aos vinte e poucos anos com dois "grandes amores" na bagagem. Esse aos oito, e outro aos dezesseis.
E com toda essa experiência sabia que meu encontro com Leopolda tinha os mesmos ingredientes daquele famigerado sentimento que nos faz morrer e ressuscitar ao terceiro dia.
Mas apesar dos traumas do passado, há uma esperança em nós que grita: agora vai!

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